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No mês de prevenção do suicídio, a Igreja Unidade em Cristo reforçou a mensagem de que há esperança para a viver desde atos simbólicos no final dos cultos e atividades até cultos especiais que abordaram unicamente o suicídio. Isabelly Damasceno é uma jovem que, antes de fazer parte da IAUC, passou por uma profunda depressão e tentou suicídio. Hoje ela conta, com gratidão a Deus, como superou a doença e reencontrou significado na vida.

“Sou a Isabelly, tenho 23 anos. E de 2015 para 2016 eu estava sentindo uma tristeza fora do normal, eu dormia muito e, por ter feito psicologia, eu me analisei e percebi que talvez fosse um princípio de depressão. Eu procurei ajuda, falei com meus pais, passei por diversos médicos e fui diagnosticada com depressão e síndrome do pânico. Nesse momento eu parei a faculdade. Eu fazia direito de manhã, teologia de noite e inglês. Também terminei um relacionamento. E simplesmente me isolei porque a doença é muito forte e te deixa incapacitada. Passei cerca de um ano dentro de casa deitada, cheguei a ficar duas semanas sem levantar, não tomava banho e nem fazia nenhuma higiene. Isso é explicado na psicologia: eu não fazia porque não havia uma razão. Para que escovar o dente se eu vou morrer? É uma dor interna alucinante. É muito difícil tanto para as pessoas que convivem com alguém assim como para quem está passando por isso.

Passei por diversos psicólogos, psiquiatras e comecei a me tratar no CAPSI, que é uma espécie de hospício onde a gente passa o dia e é medicado. Para mim, ali foi o fundo do poço. Eu tomava quatro remédios “tarja-preta” e ficava muito “dopada”. Lembro de coisas pontuais, coisas que as pessoas me contam. E aí eu tentei suicídio tomando vários remédios. O meu único pensamento era “eu não quero morrer, eu não quero me matar, mas eu preciso matar essa dor aqui dentro e a única forma é me matando”. É isso que passa na cabeça do suicida, ele não quer tirar a sua vida, ele quer tirar a dor angustiante que vem de dentro pra fora. Foram meses muito sofridos nos quais eu parei a minha vida.

No ano seguinte, em 2017, eu decidi que eu queria viver e que eu queria ajuda. Nesse tempo eu comecei a orar, mesmo sem estar em uma igreja. E eu pedia por três coisas: eu pedi que aparecesse pessoas que me ajudassem, que aparecesse um lugar, uma igreja e que Deus me desse um propósito. E ele me deu as três coisas.

Em abril, eu fui convidada por um amigo para assistir um culto na Unidade e eu fui em um culto de Páscoa. E fui indo. Na primeira vez que eu fui na Unidade Jovem, no sábado, o tio Marquinhos estava pregando e ele assumiu publicamente que ele tinha sofrido de depressão alguns meses antes e que estava muito mal. Aquilo para mim foi muito importante. Ver que pessoas dentro da igreja, um líder, no púlpito, pregando pra centenas de jovens e dizendo que estava sofrendo com uma doença que por muito tempo foi demonizada. Hoje sabemos que é uma doença da alma. Aquilo me fez ficar. Vi que tinha gente de verdade, que sofre, que ri, que passa dificuldade. Eu decidi dar uma nova chance para mim mesma e Deus fez grandes coisas.

Eu passei por um tratamento em Deus, muita gente me ajudou e não foi de uma hora pra outra. A minha síndrome do pânico era principalmente na minha faculdade e hoje eu voltei, estou no quarto período de psicologia, não quis mais fazer direito. Agora eu tenho propósito, tenho pessoas, tenho um lugar. E sempre vou me cuidando, ainda faço terapia, não pela depressão, mas porque acho muito importante.

O Setembro Amarelo pra mim é muito lindo. Ver que a minha igreja fala disso, que a minha pastora está preocupada com esse tipo de coisa. É muito importante dizermos que há vida, há esperança e que as pessoas vão vencer. Que Jesus cura a depressão e faz da estéreo mãe de filhos, habitar em família. Eu era estéreo da alma e hoje eu tenho filhos espirituais, tenho uma família. Eu não tenho vergonha de contar minha história porque pra mim ela é linda porque eu venci. Minha maior luta é pra que outras pessoas vençam também. ”

Texto: Beatriz Puente

Edição: Márcio Moreira