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As estratégias de Jesus presentes nos dias de hoje

“Quando se fala de evangelismo, se pensa muito nos encontros. Mas a Ação Social é um trabalho de evangelismo, a Capelania é um trabalho de evangelismo. Tudo acaba sendo evangelismo, ou levando a isso, é a ideia final.”. Segundo o missonário Eltz de Araújo Dias, o evangelismo está enraizado e é subjetivo em todo trabalho feito pela IAUC. Não se trata apenas de um núcleo, o evangelismo está presente em diversas frentes, desde a Unidade Jovem até as Missões Internacionais, por exemplo.

Atualmente, na comunidade do Dendê, na Ilha do Governador, funciona um Núcleo Evangelístico. Além da Unidade em Casa para jovens e da pregação da palavra, o obejtivo é estar próximo das pessoas com atividades como aulas de dança e trabalhos aos sábados voltados para idosos e crianças. “O fundamento que tem entrado no nosso coração é: fazer como Jesus. Então tentamos entrar naquela realidade ao máximo. Já fizemos até um pagode gospel em uma ocasião. Também temos o projeto em Xerém, que uma van traz os jovens para assistirem os cultos. Estamos agora em Itaboraí, começou como um evangelismo mas está se tornando uma igreja, o povo já se reune e ceia. Começou da mesma forma que a igreja primitiva, através de milagres. ”, explica Eltz sobre a estratégia.

“O Evangelismo no Dendê e a ação social não são apenas a palavra e a entrega de cesta básica. É a alfabetização, é ver a necessidade de um documento, de dentista, de acompanhamento, é mostrar a importância deles e entender suas dificuldades.”, defende a Pra. Nayra sobre a amplitude e das diferentes formas de se evangelizar.

Sobre os desafios dessa geração, a religiosidade e aqueles que se desviaram dos caminhos do Senhor, também encontramos um povo ferido, machucado. “Nota-se uma religiosidade muito grande. O evangelho cresce muito no Brasil, mas a violência só aumenta. Então, é necessário buscar o evangelho genuíno, aquele que transforma de verdade, do amor e do nascer de novo. Jesus não buscou os perfeitos, buscou aqueles que querem ser perfeitos. Vemos isso na história de Zaqueu: achamos que estamos atrás de Jesus, que somos muito pequenos perto dele, que Ele nunca vai olhar para gente. Mas Jesus, com vários religiosos e santos ao seu redor, ele olhou pra Zaqueu e falou com ele. Ele quer um coração que almeja conhece-lo.”, ressalta Eltz.

A Pr. Nayra chama a atenção para aqueles que se afastaram da igreja: “O desafio hoje são os desviados, os que se decepcionaram. O número de desviados é maior do que o de ímpios. São pessoa que Deus quer que alcance, está em Ezequiel 34 para buscarmos os feridos e fracos. Outro desafio são as pessoas independentes, que acham que tem um pastor online. É mais difícil porque eles tem aceso a você, mas a Igreja não os alcança. Podendo contaminar o restante dos membros. Como toda a igreja, nós temos um público “crente de ceia”, que vêm aliviar a consciência na ceia. Podemos explicar isso com a parábola de Matheus 5: alguns não serão atingidos, eles querem continuar desse jeito e a única coisa que podemos fazer é orar e lançar a palavra. Buscamos muito de Deus qual palavra devemos dar de acordo com o público, uma palavra de vida. É uma geração cansada, ferida e religiosa.”, enfatiza a pastora.

Além disso, deve-se considerar as diferenças culturais quando lidamos com outros países. Para isso, é preciso estudar, compreender e se adaptar àquele contexto que sofre influências históricas e culturais. “No Japão, por exemplo, você nunca vai ver alguém clamando ao senhor em voz alta e de mãos para o alto. Eles apenas abaixam levemente a cabeça e fecham os olhos. Aprendemos que a aproximação com eles deve ser diferente. Temos que perguntar se estão precisando de uma oração, de mais alguma coisa. Já na África tudo é uma grande festa, mas existe uma religiosidade por trás dessa festa. Muitos ali não conseguiram entender Cristo ainda. Um vez, havia um rapaz que não queria aceitar a Jesus pois tinha se decepcionado com a Igreja. Depois, fomos entender que Cristo foi apresentado para o africano nativo pelos europeus que eram os mesmos que os prendiam, acorrentavam e traziam para América para serem escravos. Eles demoram para entender por conta dessa ferida. Mas todos se rendem ao Senhor.”, conta Eltz.

A questão da aceitação da cultura do próximo é um dos desafios que temos que vencer internamente para levar o Evangelho. A pastora Nayra explica essa entrega pessoal: “É preciso realmente estudar a cultura antes de ir. Na Angola, se você não vestir as roupas características, ele ficam magoados, é uma honra para eles te vestirem com todos aqueles panos. Na Índia, não se cumprimenta homem com aperto de mãos, por exemplo. Até em Portugal com o mesmo idioma, é tudo diferente, para conquistar o coração do português é necessário entender. Não podemos tentar convencer eles de que o certo é a nossa cultura, porque não se chega a ninguém dessa forma. Se você vestir o índio ou chegar de cabelo corto na China, será rejeitado. Para eles isso é muito importante, então, além de estudar, é necessário estar solicito a essas situações.”, reforça.

Quando o evangelismo chega nas universidades, é com a máscara científica e acadêmica. Deus entregou a estratégia da Pra. Nayra se apresentar como Doutora Nayra, para ter aceitação desde o princício e depois que Ele trabalhar, a pastora entrar em ação. “Em Angola e no Panamá, fui convidada por universidades para dar palestras. Em Angola, por exemplo, por conta de um histórico de guerras, os homens estão muito abatidos emocionalmente, violentos, e, querendo ou não, é um trabalho de evangelismo. É um evangelismo intelectual. Alguns jovens gostaram tanto que pediram autorização do reitor para poder ter uma “Unidade em Casa” em uma das salas e eles conseguiram.”, relata a pastora.

Para a IAUC, o segredo da evangelização é a comunicação, a empatia. “Jesus sabia como falar com os pescadores, agricultores, governantes e ricos. A chave continua sendo a linguagem.É preciso saber o que pode e o que não se pode falar. A chave é a palavra, não adianta discutir.”. Para incentivar a igreja a evangelizar o próximo, é importante lembrar do nosso compromisso como Corpo de Cristo. “Não é pastor que gera ovelha, é ovelha que gera ovelha. Ou seja, o pastor está envolvido com outras coisas da igreja e não consegue manter essa proximidade com as pessoas como as ovelhas conseguem. O evangelismo do pastor é o púlpito. Falamos sempre isso na escola Bíblica e no CTPA, inclusive estamos com um módulo só de evangelismo para preparar nossas ovelhas. Não podemos nos conformar em vir para a igreja sozinhos ou a perder o hábito do convite. Às vezes a pessoa se envolve tanto na Igreja, no Ministério, que esquece do vizinho que precisa de ajuda, do colega de faculdade.”, ensina.

Texto: Beatriz Puente

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